domingo, 2 de janeiro de 2022

Um pouco sobre a História do Brasil

 

Em 1500, uma expedição portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, oficialmente chegava às terras que, de antemão, pertenciam à Coroa lusa.

 

Portugal já mantinha relações de colonização na Ásia e na África e, de um modo geral, as relações econômicas portuguesas nesses territórios foram predatórias, como é o caso do tráfico de ouro, marfim e escravos na costa africana; a busca pelas especiarias orientais e, depois de longo tempo, a exploração da madeira, o pau brasil, no território brasileiro. Assim sendo, é possível afirmar que o povoamento propriamente dito não era propósito entre os "descobridores", que se ocupavam da extração de todos os produtos que lhes fossem possíveis levar para a Metrópole.


 Assim, uma das primeiras providências dos portugueses foi organizar formas de extração e remessa de madeira para a Europa, sem qualquer preocupação com a efetiva ocupação da terra, pois, conforme a maioria dos historiadores, não lhes interessava o chão habitado pelo autóctone. Por outro lado, os indígenas brasileiros não se submeteram facilmente ao trabalho organizado que se exigia deles, pouco afeitos a ocupações sedentárias, eles não aceitaram a escravidão.

 

Os portugueses, porém, fizeram surgir alguns estabelecimentos militares que balizavam os navegantes, que também não prosperaram, não servindo, dessa maneira, para a fixação do homem aos lugares em que se erigiram essas fortificações.

 

O Brasil, de fato, não oferecia atrativos para os homens daquele tempo. Costuma-se dizer que o Brasil foi descoberto para ser esquecido. Somente a partir da terceira década do século XVI (por volta de 1530), a Coroa Portuguesa ocupou-se com um processo mais efetivo de povoamento, dividindo o território e organizando as capitanias hereditárias, a partir de 1534. As capitanias eram faixas de terras concedidas a nobres portugueses de confiança do Rei. Eram ditas hereditárias porque deveriam passar de pai para filho.

 

Na prática, a Coroa Portuguesa terceirizou a ocupação colonial ao dividir o território em capitanias hereditárias, uma vez que a sua instalação e os investimentos para a manutenção competiam aos donatários. Cabia aos colonos, por exemplo, a plantação de cana de açúcar, a montagem de engenhos, a manutenção de mão de obra, a defesa da propriedade, de tal sorte que somente algumas capitanias, como aquelas comandadas por Martim Afonso de Sousa e Duarte Coelho, prosperaram.

 

Na medida em que as capitanias fracassavam – embora tenham existido, oficialmente, até 1821 –, as suas terras retornavam à Coroa Portuguesa. Com a efetivação das capitanias hereditárias, segundo Moraes (2001), e o esgotamento dos solos para o plantio de cana de açúcar nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, instaurou-se o primeiro sistema de produção em solo brasileiro: a produção de cana, sendo inserida nas Capitanias de Pernambuco, Bahia e São Vicente.


Cumpre lembrar que, em 1549, época em que essas capitanias já prosperavam, chegaram ao Brasil os padres jesuítas, cuja missão oficial era a catequização indígena, mas eles vinham também para moralizar os costumes entre os colonos. Muitos daqueles que, inicialmente, ocuparam o Brasil eram aventureiros, prostitutas, degredados (presidiários exilados no Brasil), de tal forma que a vida na Colônia precisava ser, religiosamente, melhor gerida.

 

O Rio Grande do Sul não foi efetivamente explorado, tendo surgido no mapa de Gaspar de Viegas em 1534, mas não atraiu povoação. Somente a exploração das minas na região do atual estado de Minas Gerais determinaria interesse pelo estado mais meridional do país: a pecuária, bovinos para alimentação e mulas para o transporte, levados até as feiras de Sorocaba e de lá vendidos para as Minas.


Nota: a imagem que acompanha esta postagem é meramente ilustrativa.

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