Em 1500, uma expedição portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, oficialmente chegava às terras que, de antemão, pertenciam à Coroa lusa.
Portugal
já mantinha relações de colonização na Ásia e na África e, de um modo
geral, as relações econômicas portuguesas nesses territórios foram predatórias,
como é o caso do tráfico de ouro, marfim e escravos na costa africana; a busca
pelas especiarias orientais e, depois de longo tempo, a exploração da madeira,
o pau brasil, no território brasileiro. Assim sendo, é possível afirmar que o
povoamento propriamente dito não era propósito entre os "descobridores", que se
ocupavam da extração de todos os produtos que lhes fossem possíveis levar para
a Metrópole.
Os
portugueses, porém, fizeram surgir alguns estabelecimentos militares que
balizavam os navegantes, que também não prosperaram, não servindo, dessa
maneira, para a fixação do homem aos lugares em que se erigiram essas
fortificações.
O
Brasil, de fato, não oferecia atrativos para os homens daquele tempo.
Costuma-se dizer que o Brasil foi descoberto para ser esquecido. Somente a
partir da terceira década do século XVI (por volta de 1530), a Coroa Portuguesa
ocupou-se com um processo mais efetivo de povoamento, dividindo o território e
organizando as capitanias hereditárias, a partir de 1534. As capitanias eram faixas de terras concedidas a nobres portugueses de confiança do Rei. Eram ditas hereditárias porque deveriam passar de pai para filho.
Na
prática, a Coroa Portuguesa terceirizou a ocupação colonial ao dividir o
território em capitanias hereditárias, uma vez que a sua instalação e os
investimentos para a manutenção competiam aos donatários. Cabia aos colonos,
por exemplo, a plantação de cana de açúcar, a montagem de engenhos, a
manutenção de mão de obra, a defesa da propriedade, de tal sorte que somente
algumas capitanias, como aquelas comandadas por Martim Afonso de Sousa e Duarte
Coelho, prosperaram.
Na medida em que as capitanias fracassavam –
embora tenham existido, oficialmente, até 1821 –, as suas terras retornavam à
Coroa Portuguesa. Com a efetivação das capitanias hereditárias, segundo Moraes
(2001), e o esgotamento dos solos para o plantio de cana de açúcar nos
arquipélagos dos Açores e da Madeira, instaurou-se o primeiro sistema de
produção em solo brasileiro: a produção de cana, sendo inserida nas Capitanias de Pernambuco, Bahia e São Vicente.
Cumpre lembrar que, em 1549, época em que essas capitanias já prosperavam, chegaram ao Brasil os padres jesuítas, cuja missão oficial era a catequização indígena, mas eles vinham também para moralizar os costumes entre os colonos. Muitos daqueles que, inicialmente, ocuparam o Brasil eram aventureiros, prostitutas, degredados (presidiários exilados no Brasil), de tal forma que a vida na Colônia precisava ser, religiosamente, melhor gerida.
O Rio Grande do Sul não foi efetivamente
explorado, tendo surgido no mapa de Gaspar de Viegas em 1534, mas não atraiu povoação.
Somente a exploração das minas na região do atual estado de Minas Gerais
determinaria interesse pelo estado mais meridional do país: a pecuária, bovinos
para alimentação e mulas para o transporte, levados até as feiras de Sorocaba e
de lá vendidos para as Minas.
Nota: a imagem que acompanha esta postagem é meramente ilustrativa.
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